
A Petrobras se aproxima de obter a licença ambiental que permitirá a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá, uma das áreas mais cobiçadas da Margem Equatorial. O projeto prevê a perfuração de até oito poços em águas profundas, com investimentos estimados em US$ 3 bilhões nos próximos cinco anos.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aprovou a Avaliação Pré-Operacional (APO), etapa que simula respostas emergenciais a desastres ambientais. Apesar do avanço, técnicos do órgão solicitaram ajustes adicionais, que já foram entregues pela empresa. A Petrobras terá de realizar um novo simulado para validar as correções antes da liberação definitiva.
Um dos pontos críticos do processo envolve os testes de resgate de animais em caso de vazamento de óleo. De acordo com relatório técnico obtido pela agência Reuters, a estatal não conseguiu comprovar eficiência nas ações de proteção à fauna marinha. Entre as falhas relatadas estão incidentes com embarcações presas em redes de pesca e bancos de areia, além de problemas em operações aéreas, quando pilotos não tinham equipamentos de segurança adequados. O documento alerta que, em uma emergência real, a exposição a substâncias tóxicas poderia provocar acidentes graves.
A Margem Equatorial é considerada a nova fronteira energética do país e já foi apelidada de “novo pré-sal”. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a região pode abrigar até 30 bilhões de barris de óleo equivalente. Em junho, a ANP leiloou 34 blocos da área, dos quais a Petrobras arrematou dez na Foz do Amazonas e outros três na Bacia de Pelotas, por R$ 139 milhões.
Em nota institucional, a companhia defende o projeto como estratégico para a segurança energética do Brasil. “Isso nos permitirá contribuir com o atendimento à demanda crescente por energia a partir de uma produção realizada com investimentos tecnológicos que garantem segurança operacional e cuidado ambiental”, afirma a Petrobras.
O avanço da estatal ocorre em meio a protestos de ambientalistas, lideranças indígenas e comunidades locais, que denunciam riscos ao ecossistema marinho e à subsistência de povos tradicionais.
pq O tema também ganha relevância política, já que o governo busca acelerar o licenciamento antes da COP30, que será realizada em Belém, em 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou que a conferência climática “não deve ser empecilho” para o processo.




