Viagem aérea entre São Paulo e Goiânia se estende por quase 12 horas e passageira relata falhas de assistência
Empresária ficou cerca de cinco horas dentro da aeronave sem alimentação, recebeu explicações divergentes da companhia aérea e avalia medidas judiciais após sucessivos atrasos e cancelamento do voo

O que deveria ser um deslocamento rápido entre São Paulo e Goiânia transformou-se em uma jornada exaustiva para uma passageira goiana, que levou quase 12 horas para concluir um trajeto previsto para pouco mais de uma hora. O episódio ocorreu na noite de terça-feira (9), véspera de cancelamentos em massa de voos em razão da passagem de um ciclone pelo estado de São Paulo.
A empresária Rita de Cássia de Moraes Correa, de 57 anos, relata que enfrentou uma sequência de atrasos, permanência prolongada dentro da aeronave, falta de alimentação e informações contraditórias por parte da companhia aérea. Diante da situação, ela afirma que estuda acionar judicialmente a empresa responsável pelo voo.
Rita retornava de uma viagem internacional, com origem em Londres e conexão em Barcelona, antes de desembarcar no aeroporto de Guarulhos. O trecho final, com destino ao aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, era operado por um voo doméstico previsto para decolar às 20h55. Segundo a passageira, o embarque já começou com atraso de cerca de 40 minutos.
De acordo com o relato, após o embarque, o avião chegou a se deslocar levemente na pista, mas voltou a parar, sem que houvesse uma explicação clara aos passageiros. “As informações mudavam o tempo todo. Ninguém conseguia entender o que estava acontecendo”, contou a empresária.
O momento mais crítico, segundo Rita, ocorreu quando os passageiros permaneceram aproximadamente cinco horas dentro da aeronave, sem autorização para desembarque. As justificativas apresentadas pela tripulação variaram ao longo da noite, incluindo troca de tripulantes, substituição de piloto, questões documentais e problemas relacionados a bagagens desacompanhadas.
Durante todo esse período, a passageira afirma que não houve oferta adequada de alimentação. Segundo ela, os passageiros receberam apenas um pacote de biscoitos, mesmo após horas de espera. O cenário, relatou, gerou tensão generalizada entre os ocupantes do voo.
Rita descreve situações de forte abalo emocional a bordo, com passageiros passando mal e demonstrando sinais de ansiedade. Entre os casos mencionados, estava o de uma mulher que precisava chegar a Goiânia para se despedir do pai internado em uma UTI, além de outros passageiros que tiveram crises de pânico devido ao confinamento prolongado.
Após horas de espera, o piloto anunciou o cancelamento definitivo do voo. Quando os passageiros finalmente conseguiram desembarcar, encontraram o aeroporto em situação de congestionamento, com outros voos da mesma companhia enfrentando problemas semelhantes, segundo a empresária.
“No saguão, havia muita gente, filas enormes e dificuldade até para localizar as malas. Além disso, houve resistência para a liberação de vouchers de alimentação e transporte”, relatou Rita, que afirma ter se sentido desassistida pela empresa aérea.
A empresária destaca que o impacto físico e emocional foi agravado pelo cansaço acumulado da viagem internacional. “É um esgotamento completo, um desequilíbrio, uma sensação de impotência. Dá uma vontade enorme de chorar porque a situação foge totalmente do controle do passageiro”, afirmou.
Posteriormente, Rita e outros passageiros foram realocados em um novo voo com saída do aeroporto de Congonhas. Para conseguir chegar a tempo, ela precisou se deslocar por conta própria, utilizando transporte por aplicativo, dividindo os custos com outra passageira.
Segundo ela, a decisão foi tomada diante do receio de perder novamente o voo, já que a fila para obtenção de transporte oferecido pela companhia era extensa. “Se fôssemos esperar, havia o risco real de não embarcar”, contou.
A passageira afirma que a experiência foi uma das mais difíceis que já enfrentou em viagens aéreas e avalia buscar reparação judicial. Para ela, o episódio evidencia falhas na comunicação, na gestão de crise e no cumprimento das obrigações de assistência previstas na legislação brasileira para casos de atraso e cancelamento de voos.




