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Lula pede a Trump revisão do tarifaço em conversa por telefone

Presidente brasileiro destacou importância da parceria comercial e sugeriu encontro presencial após diálogo de meia hora com o líder norte-americano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve, na manhã desta segunda-feira (6), uma conversa telefônica de aproximadamente trinta minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo, realizado a partir do Palácio da Alvorada, ocorreu em meio à tensão diplomática gerada pelo tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, imposto de forma escalonada por Washington desde agosto.

Segundo informações confirmadas pelo Palácio do Planalto, Lula estava acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin, do assessor especial Celso Amorim e dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Sidônio Palmeira (Secom). O objetivo central do diálogo foi buscar reaproximação política e comercial entre os dois países.

De acordo com nota oficial divulgada após a ligação, Lula convidou Donald Trump para participar da Conferência do Clima da ONU (COP30), que será realizada em novembro, em Belém (PA). Durante a conversa, o presidente brasileiro também solicitou a revisão do tarifaço sobre produtos nacionais, medida que, segundo o governo, ameaça setores estratégicos da economia e fere o espírito de cooperação entre as duas nações.

“O presidente reiterou a importância de fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos com base no respeito mútuo, na previsibilidade econômica e na busca por soluções conjuntas para desafios globais, como a transição energética e a sustentabilidade”, afirmou o Planalto, em comunicado distribuído à imprensa.

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o diálogo como “positivo e construtivo”, sinalizando que a abertura de um canal direto entre Lula e Trump pode reduzir tensões e criar condições para negociações futuras. Segundo auxiliares do governo, a conversa foi planejada como um primeiro passo antes de um possível encontro presencial, previsto para ocorrer até o fim do ano.

A iniciativa de diálogo havia sido antecipada pelo próprio Trump durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York. Na ocasião, o líder americano discursou logo após Lula e revelou “boa química” entre ambos, sugerindo que havia espaço para cooperação política e econômica. O presidente brasileiro, por sua vez, afirmou que “aquilo que parecia impossível deixou de ser impossível e aconteceu”, ao se referir ao breve encontro entre os dois durante o evento.

Segundo fontes diplomáticas, o telefonema foi tratado como estratégico pela equipe de política externa brasileira, pois sinaliza a intenção de Lula de manter interlocução com a Casa Branca mesmo diante do recrudescimento das medidas tarifárias. A interlocução direta, avaliam assessores, é vista como alternativa ao endurecimento das sanções e pode abrir espaço para mediação regional.

O tarifaço imposto por Trump afeta aproximadamente 36% das exportações brasileiras aos Estados Unidos e incide principalmente sobre produtos do setor siderúrgico, agroindustrial e de manufaturas leves. O governo norte-americano justificou a medida alegando suposto déficit comercial e “questões de segurança econômica”, além de mencionar, em declarações públicas, divergências políticas relacionadas à investigação do ex-presidente Jair Bolsonaro e ao “direito de liberdade de expressão de cidadãos americanos”.

No Brasil, o tema tem gerado apreensão entre exportadores e entidades empresariais, que estimam impacto bilionário nas balanças comerciais estaduais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Itamaraty vêm atuando para mitigar os efeitos do aumento tarifário e demonstrar que o comércio bilateral tem sido historicamente superavitário para os Estados Unidos, contrariando a narrativa apresentada por Trump.

A expectativa do governo brasileiro é que o diálogo direto entre os dois presidentes reabra canais diplomáticos e comerciais, reduzindo o risco de escalada econômica e preparando o terreno para negociações multilaterais mais amplas até a COP30.

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