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Petro reage a críticas e sustenta compra dos caças Gripen: “Acostumados a aplaudir que se compre sucata”

Governo sustenta que a escolha representa o maior salto tecnológico já dado pela aviação militar do país

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, voltou a defender com veemência a decisão de seu governo de adquirir caças Saab Gripen E/F, após a oposição levantar suspeitas de sobrepreço e questionar comparações feitas com aeronaves F-16 oferecidas pelos Estados Unidos. Em publicações nas redes sociais, o chefe do Executivo colombiano argumentou que as críticas desconsideram o escopo completo do contrato e sugerem desconhecimento técnico sobre o processo de aquisição.

Segundo Petro, o pacote negociado com a Suécia prevê aeronaves novas, acompanhadas de um conjunto amplo de manutenção, peças de reposição, transferência de tecnologia e compromissos de offset — elementos que, segundo ele, justificam o valor acordado. O presidente também afirmou que, no passado, Washington havia sugerido a venda de F-16 de “terceira mão” para suprir a necessidade imediata da Força Aérea Colombiana (FAC), mas sem divulgar publicamente que a proposta incluía também unidades do moderno F-16V.

As críticas mais recentes recuperaram inclusive declarações de Petro feitas em 2021, quando ainda era senador, questionando um plano do governo anterior para adquirir metade do número de aeronaves, porém pelo mesmo valor agora contratado. Diante dessa narrativa, o presidente rebateu: “Acostumados a aplaudir que se compre sucata, não são capazes de fazer uma investigação séria”, atacando setores da oposição e parte da imprensa.

O mandatário explicou que a negociação com a Saab se estendeu por todo o seu governo e foi acompanhada de avaliações técnicas da FAC. Ele afirmou ter aberto canais diplomáticos diretos com o governo sueco, incluindo reuniões com integrantes da família real, para garantir uma parceria estruturada. Um dos objetivos, reforçou, é acelerar a integração da indústria aeroespacial colombiana à brasileira, já que o Gripen é produzido conjuntamente entre a Saab e a Embraer.

Petro também ressaltou que o processo foi deliberadamente rigoroso no combate a práticas ilícitas. Em suas palavras, advertiu pessoalmente executivos da fabricante sueca sobre a exigência de integridade e transparência absoluta nas negociações. “Quero ensinar ao povo que esses grandes negócios com dinheiro público podem ser feitos pelos estados sem corrupção. A Suécia é um exemplo de transparência e quero que a Colômbia também seja”, declarou.

Além da renovação da frota de defesa, Petro reiterou que seu governo continuará perseguindo o objetivo de reduzir a dependência externa em equipamentos militares. Ele antecipou a criação de um novo Conpes dedicado ao fortalecimento da produção nacional de blindagens, drones, contramedidas e sistemas de mobilidade aérea, fluvial e terrestre — uma estratégia que pretende reposicionar a Colômbia na cadeia regional de defesa e tecnologia.

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