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Moraes autoriza busca contra jornalista investigado por suposta perseguição a Flávio Dino

Ação foi solicitada pela Polícia Federal após publicação de reportagens sobre deslocamentos do ministro; OAB do Maranhão manifesta preocupação com possíveis impactos à liberdade de imprensa

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou a realização de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida. A medida foi tomada a pedido da Polícia Federal (PF), que conduz uma investigação para apurar a suspeita de perseguição ao ministro da Corte Flávio Dino. A Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB-MA) declarou que a operação levanta preocupação institucional, ressaltando que a Constituição garante a liberdade de expressão e o livre exercício da atividade jornalística.

A ordem judicial que permitiu a diligência foi assinada no dia 4 de março. Segundo relato do próprio jornalista em seu site, agentes apreenderam equipamentos usados em seu trabalho, incluindo computador e telefones celulares utilizados na produção de conteúdo para o blog que mantém na internet.

Luís Pablo é responsável pelo portal Blog Luís Pablo e passou a ser alvo de investigação após divulgar reportagens envolvendo o ministro Flávio Dino. Uma das publicações abordava um veículo utilizado pelo magistrado durante uma passagem pelo Maranhão.

No texto publicado em novembro de 2025, o portal afirmou que familiares de Dino estariam utilizando com frequência uma caminhonete modelo SW4 pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão. De acordo com a reportagem, o veículo teria sido adquirido com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados, destinado à proteção institucional de juízes e desembargadores.

De acordo com as investigações, existe a suspeita de que o automóvel tenha sido monitorado e de que o jornalista possa ter acessado dados considerados sensíveis sobre a segurança do ministro. A apuração da Polícia Federal considera a hipótese de crime de perseguição, previsto no Código Penal.

Ao autorizar a medida, Moraes apontou indícios de que as reportagens poderiam expor informações relacionadas à segurança da autoridade. O despacho também menciona a possibilidade de que tenham sido utilizados mecanismos estatais para identificar veículos ligados à equipe de proteção do ministro.

Procurado pela reportagem, o jornalista não respondeu aos contatos. Em publicações feitas em seu blog e em seu perfil no Instagram, ele afirmou que não pode comentar detalhes da investigação por se tratar de um processo sob sigilo e que aguarda acesso integral aos autos para entender os fundamentos da decisão judicial.

Em nota, o Supremo Tribunal Federal informou que, em 2025, a equipe de segurança institucional de Flávio Dino foi alertada sobre um possível monitoramento irregular de seus deslocamentos em São Luís. Segundo a Corte, chegaram a ser divulgadas placas de veículos utilizados, nomes de agentes e informações sobre o esquema de segurança. O STF afirmou ainda que a investigação não envolve crimes contra a honra nem tem relação com inquéritos sobre desinformação, citando dispositivos legais que tratam do uso de veículos de segurança em cooperação com tribunais estaduais.

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