Motta sugere arquivar PEC da Blindagem se Senado considerá-la inócua
Presidente da Câmara condiciona continuidade da proposta à receptividade dos senadores

Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, afirmou nesta terça-feira (23/9) que, caso o Senado não considere a PEC da Blindagem “interessante”, ele não verá problema em arquivá-la. A declaração intensifica as negociações políticas em torno da proposta, que altera regras de investigação de parlamentares.
Motta avaliou que a tramitação deve respeitar o interesse real das Casas Legislativo e Senado, e não ser forçada por imposição. “Se o Senado achar que a PEC não vale, que não tem apoio, que arquive”, declarou, indicando que continuará aberto ao diálogo, mas sem insistir em trajetória impositiva.
Ele reforçou que a Câmara já cumpriu sua parte ao aprovar a PEC após ampla votação. Agora, cabe ao Senado decidir se aceitará a proposta ou não. Caso o texto seja rejeitado ou desidratado, o próprio presidente da Câmara admite encerrar a tramitação definitivamente.
A declaração de Motta também tem forte impacto político, pois sinaliza aos senadores que a liderança da Câmara não pretende impor a blindagem de modo antidemocrático. Ao mesmo tempo, pode reduzir a pressão sobre parlamentares contrários ao avanço da PEC.
A PEC da Blindagem, aprovada na Câmara, exige que parlamentares só possam ser investigados se o Legislativo autorizar — uma mudança que críticos interpretam como defesa institucional contra investigações. Entre os pontos mais controversos estão restrições a medidas cautelares e exigência de aval político para o avanço processual.
Motta ainda afirmou que, se o Senado decidir reformular ou propor nova versão da PEC, a Câmara está disposta a discutir ajustes. Ele sinalizou que a articulação política será determinante nas próximas horas e dias.
A manobra de condicionar a continuidade da proposta ao interesse do Senado pode funcionar como estratégia para evitar confronto direto e desgaste institucional, ao mesmo tempo em que preserva o controle da agenda legislativa.
Com esse posicionamento, o presidente da Câmara reforça que a PEC da Blindagem não será imposta com autoritarismo, mas depende de consenso político nas duas Casas para sobreviver.



