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Lula reage a ameaças dos EUA a Moraes e diz que Brasil “não aceita intimidação”

Presidente criticou possível retaliação dos Estados Unidos ao ministro do STF e reforçou defesa da soberania institucional brasileira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “inadmissível” a possibilidade de os Estados Unidos imporem sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A manifestação ocorre após integrantes do Congresso americano sugerirem restrições a autoridades estrangeiras acusadas de censura, mencionando diretamente o nome do magistrado brasileiro, que comanda inquéritos sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro.

Durante coletiva em Brasília, Lula afirmou que “o Brasil é um país soberano e não aceitará pressões externas sobre decisões judiciais legítimas”. Segundo ele, críticas políticas fazem parte do jogo democrático, mas extrapolar os limites institucionais é “ultrapassar fronteiras inaceitáveis”. O Planalto vê nas ameaças uma tentativa de interferência nos poderes da República e uma afronta à independência do Judiciário.

A tensão entre os dois países se intensificou após o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ser acusado de promover campanha internacional contra Moraes. Em resposta, o ministro do STF autorizou apurações sobre possíveis tentativas de intimidação institucional articuladas no exterior. O gesto foi lido como uma reação direta à escalada de hostilidades vindas do núcleo bolsonarista, que busca apoio fora do país.

Apesar do desconforto diplomático, o governo brasileiro tenta manter os canais de diálogo com Washington. Interlocutores do Itamaraty afirmam que o presidente Lula espera que o episódio não afete as relações comerciais e a agenda bilateral entre os dois países. No entanto, o Palácio do Planalto já sinalizou que não aceitará ataques à integridade de suas instituições sob o pretexto de “liberdade de expressão seletiva”.

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