Saúde decide não incluir finerenona no SUS para tratamento de doença renal associada ao diabetes
Medicamento indicado para pacientes com doença renal crônica em estágios avançados seguirá restrito à rede privada

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o medicamento finerenona, indicado para o tratamento da doença renal crônica nos estágios 3 e 4 associada ao diabetes tipo 2. A deliberação foi tomada nesta quinta-feira (19) e publicada no Diário Oficial da União.
A resolução é de responsabilidade da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde e mantém, na rede pública, apenas as terapias atualmente disponíveis para o cuidado desses pacientes. Com a decisão, o fármaco seguirá sendo ofertado exclusivamente no mercado privado.
A finerenona, comercializada no Brasil pela Bayer S.A., é utilizada para proteger os rins em situações de comprometimento avançado da função renal. Em pacientes com diabetes tipo 2 em estágios mais graves, o excesso de glicose no sangue ativa os chamados receptores mineralocorticoides, desencadeando processos inflamatórios nos vasos renais e levando à perda de proteína pela urina, condição conhecida como albuminúria.
O medicamento atua bloqueando esse mecanismo inflamatório, reduzindo o vazamento de proteína e retardando a progressão do dano renal. Com isso, pode adiar ou até evitar a necessidade de tratamentos mais invasivos, como a diálise, em alguns pacientes.
Em nota técnica, o Ministério da Saúde destacou que a finerenona foi avaliada em estudos clínicos voltados a pessoas com diabetes tipo 2, principal causa de insuficiência renal em países desenvolvidos. Segundo a pasta, o avanço da doença renal crônica acompanha o crescimento global do diabetes e está associado a maior risco de mortalidade, complicações cardiovasculares e prejuízo significativo à qualidade de vida.
Apesar do reconhecimento desses fatores, a avaliação conduzida pelo ministério concluiu pela não incorporação do medicamento ao SUS neste momento, mantendo inalterado o protocolo terapêutico atualmente adotado na rede pública.


