
Uma pesquisa realizada pelo Ranking dos Políticos apontou que a Reforma Administrativa enfrenta resistências importantes no Congresso Nacional, sobretudo em relação à estabilidade dos servidores. Embora o coordenador do Grupo de Trabalho, deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), já tenha sinalizado que o tema não será incluído na proposta em debate, a maioria dos parlamentares consultados rejeitou qualquer flexibilização dessa regra.
Na Câmara dos Deputados, 52,7% disseram ser contrários à medida, contra 39,1% favoráveis. No Senado, a proporção foi semelhante: 53,5% contrários e 42,9% favoráveis. Já em relação ao corte proporcional de jornada e salário, os resultados mostraram maior equilíbrio entre as opiniões. Na Câmara, 47,3% apoiam, 39,1% rejeitam e 13,6% não souberam ou não responderam. No Senado, 50% se posicionaram contra, enquanto 46,4% se disseram favoráveis.
O levantamento também investigou os principais entraves à aprovação da reforma ainda em 2025. Para 38,2% dos deputados e 32,1% dos senadores, a resistência do funcionalismo público representa a maior barreira. Outros 34,5% dos deputados e 32,1% dos senadores apontaram a falta de maturidade política como um fator determinante.
Na avaliação do diretor do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, os resultados mostram ao mesmo tempo resistência e possibilidade de avanço. “A pesquisa mostra que ainda há entraves, especialmente em torno da estabilidade, mas também revela que quase metade do Congresso aceita discutir medidas como o corte proporcional de jornada e salário. Esse é um sinal de que existe disposição para avançar em pontos concretos da reforma”, disse.
Para ele, a modernização do Estado é imprescindível. “Sem uma reforma que traga eficiência e responsabilidade ao serviço público, continuaremos convivendo com um Estado caro, lento e que não entrega à altura do que a população merece. O Congresso tem a chance de dar um passo histórico”, acrescentou.
Segundo Arruda, superar os entraves depende de liderança política. “A resistência corporativa e a falta de maturidade política só serão vencidas com liderança e compromisso. O Brasil não pode adiar indefinidamente a construção de um Estado mais moderno e sustentável”, concluiu.
O levantamento foi realizado entre os dias 4 e 9 de julho, com 110 deputados de 20 partidos e 28 senadores de 12 legendas, incluindo parlamentares da base, da oposição e independentes. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.




