Economia

Pix Automático entra em vigor e passa a ser obrigatório em todo o país

Nova ferramenta substituirá débito automático e boletos, facilitando cobranças recorrentes e beneficiando milhões de consumidores e empresas

A partir desta segunda-feira (13), o Pix Automático passa a ser uma ferramenta obrigatória no sistema financeiro nacional. Criada pelo Banco Central (BC) para substituir o débito automático e os boletos bancários, a nova modalidade permite que consumidores autorizem pagamentos recorrentes de forma simples e segura, sem a necessidade de digitar dados a cada transação.

Lançado em caráter experimental em junho, o Pix Automático foi desenvolvido para pagamentos periódicos a empresas e prestadores de serviços, como escolas, academias, concessionárias de energia, companhias telefônicas e microempreendedores individuais (MEIs). O usuário autoriza apenas uma vez e, a partir de então, o sistema realiza os débitos automaticamente, respeitando o valor e a periodicidade definidos pelo cliente.

De acordo com o Banco Central, a inovação deve beneficiar cerca de 60 milhões de brasileiros que não possuem cartão de crédito, além de simplificar a vida das empresas, especialmente as de pequeno porte. Até então, o débito automático exigia convênios diretos entre cada empresa e os bancos, o que tornava o modelo acessível apenas a grandes corporações. Agora, com o Pix Automático, qualquer prestador de serviço poderá aderir, desde que seja pessoa jurídica e cumpra os requisitos de segurança.

Entre as principais aplicações estão o pagamento de contas de consumo (água, luz, telefone), mensalidades escolares, assinaturas digitais, clubes de assinatura e planos de serviços recorrentes. O sistema funcionará 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive em feriados, e permite cancelamento, reajuste de valores e alteração da periodicidade a qualquer momento.

A ferramenta também promete reduzir erros e fraudes em comparação com o Pix agendado recorrente, modalidade anterior utilizada para mesadas e transferências entre pessoas físicas. Enquanto no Pix agendado o usuário precisava digitar manualmente a chave, o valor e a frequência da cobrança, no Pix Automático o processo é feito por meio de proposta eletrônica enviada pela empresa, bastando ao consumidor confirmar os termos no aplicativo bancário.

O Banco Central, entretanto, alerta para riscos de golpes envolvendo empresas falsas que possam tentar enviar pedidos de autorização fraudulentos. Para mitigar o problema, o BC estabeleceu critérios rigorosos de verificação, obrigando bancos e instituições de pagamento a checar dados cadastrais, histórico financeiro e compatibilidade entre a atividade econômica e o serviço ofertado. Apenas empresas com mais de seis meses de operação poderão participar da nova modalidade.

As verificações incluirão informações como data de inscrição no CNPJ, situação cadastral dos sócios, número de funcionários, capital social, faturamento e frequência de transações. As medidas fazem parte do esforço do Banco Central para garantir transparência e confiabilidade na expansão do sistema instantâneo de pagamentos, que hoje é o principal meio de transferência financeira no país, com mais de 170 milhões de usuários ativos.

Para o setor financeiro, o Pix Automático representa mais um passo na consolidação do ecossistema digital criado desde 2020. A expectativa do BC é que, nos próximos meses, a modalidade substitua gradualmente o débito automático e os boletos, trazendo mais eficiência, menor custo e maior inclusão financeira para consumidores e empresas.

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