Lei em defesa de crianças autistas em Uberlândia ganha nome da filha do goleiro Cássio, do Cruzeiro
Norma obriga escolas a justificarem por escrito a recusa de matrícula e garante profissional de apoio para alunos com TEA

A Câmara Municipal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, aprovou uma lei em defesa dos direitos de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que passa a se chamar Lei Maria Luiza, em homenagem à filha do goleiro Cássio, do Cruzeiro. O atleta, que há anos atua como defensor da causa, tem compartilhado publicamente as dificuldades enfrentadas por famílias de crianças autistas, especialmente no acesso à educação.
Pela nova legislação, as escolas da rede pública e privada do município que recusarem a matrícula de estudantes com TEA deverão formalizar a negativa por escrito, informando os motivos da decisão. O texto também prevê penalidades às instituições que praticarem discriminação e assegura o direito à presença de um profissional de apoio em sala de aula para acompanhar as crianças autistas.
De acordo com os autores do projeto, a homenagem ao goleiro simboliza o reconhecimento da luta de Cássio e de sua família por uma educação inclusiva e humanizada. O jogador, de 38 anos, é pai de Maria Luiza, diagnosticada com TEA ainda na primeira infância, e tem relatado episódios de exclusão escolar vividos pela filha.
Em uma de suas declarações recentes, Cássio descreveu o drama que enfrenta para garantir o direito básico à educação da filha. “Hoje, como tantos outros pais de crianças autistas não verbais, venho compartilhar algo muito doloroso. Tenho tentado matricular minha filha em diferentes escolas, mas a resposta quase sempre é a mesma: ela não é aceita. Tudo isso porque a Maria tem uma pessoa especializada que a acompanha desde os 2 anos de idade”, contou o jogador.
Segundo ele, a profissional de apoio que acompanha Maria Luiza desde São Paulo é essencial para o desenvolvimento da menina, mas tem sido recusada por diversas instituições. “Muitas vezes somos chamados para conversar, eu e minha esposa vamos até a escola, explicamos tudo, mostramos disposição em colaborar. No final, a resposta é sempre negativa”, lamentou.
Com a Lei Maria Luiza, Uberlândia dá um passo importante no fortalecimento das políticas públicas de inclusão. A norma reforça o compromisso da cidade com a educação acessível, o acolhimento e o combate à discriminação, ampliando a conscientização sobre o autismo e garantindo que nenhuma criança seja impedida de aprender e conviver por sua condição.




