
Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro, a cantora Fafá de Belém, de 69 anos, voltou a criticar a falta de representatividade do povo amazônico e a pouca presença de intelectuais da região nos debates oficiais do evento.
Em entrevista ao jornal O Globo, a artista revelou frustração por não ter sido convidada para participar da cerimônia de abertura da conferência, que acontecerá em sua cidade natal. “Sempre fomos apagados. Não adianta fazer um espetáculo para o mundo e tirar os ribeirinhos de casa para que não participem. Não existe Amazônia sem nós”, desabafou.
Fafá afirmou que a ausência de vozes amazônicas nos espaços de destaque da COP30 é sintoma de um problema mais profundo: a exclusão histórica das populações locais das decisões sobre o futuro da floresta e das políticas ambientais. “Quando somos proibidos de fazer parte do espetáculo, atenção, algo está errado”, alertou.
Mesmo de fora da programação oficial, a cantora garantiu que estará presente de outra forma. No dia 14 de novembro, ela realizará um show no Theatro da Paz, em Belém, ao lado do maestro João Carlos Martins. O espetáculo terá ingressos populares e toda a renda revertida para projetos sociais em Santo Antônio do Tauá, município da Região Metropolitana de Belém. “É o meu presente, a minha forma de entregar a COP ao povo do Pará”, afirmou.
Reconhecida como uma das vozes mais influentes da música paraense e defensora de causas sociais, Fafá tem sido porta-voz das comunidades ribeirinhas e indígenas. Em suas declarações, ela costuma ressaltar que a Amazônia não é apenas um tema ambiental, mas também humano, cultural e identitário.
Ao comentar os desafios mais urgentes da região, a cantora destacou a importância da pesquisa científica e do conhecimento tradicional. “O apoio às pesquisas da UFPA é fundamental. É preciso olhar e ouvir o nosso povo. A farmacopeia mundial nasceu das erveiras, das curandeiras. Elas precisam ser reconhecidas”, declarou.
A COP30, que será sediada pela primeira vez na Amazônia, deve reunir mais de 50 mil participantes de cerca de 190 países, incluindo chefes de Estado, cientistas, representantes da ONU e organizações da sociedade civil. O governo federal anunciou investimentos em infraestrutura e hospedagem, além de ações de sustentabilidade e legado social para a capital paraense.
Enquanto Belém se prepara para receber a conferência, Fafá de Belém reafirma seu compromisso com as raízes amazônicas. “A COP é do mundo, mas a Amazônia é nossa. Se não nos deixarem falar, falaremos cantando”, resumiu a artista, que pretende transformar seu espetáculo em um manifesto de amor e resistência à terra que representa.




