Distrito Federal

Bombeiros ampliam segurança aquática no Lago Paranoá com novos postos de socorro

Ação estratégica do CBMDF visa aumentar a proteção dos frequentadores em pontos de alta circulação, combatendo o aumento de afogamentos

Em uma iniciativa para reforçar a segurança dos frequentadores do Lago Paranoá, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) implementou dois novos postos de socorro em áreas-chave da orla. As novas estruturas estão estrategicamente posicionadas perto da Ponte Juscelino Kubitschek e na popular Prainha do Lago Norte, elevando para cinco o número total de pontos de apoio com equipes de guarda-vidas espalhados às margens do lago, incluindo a Ponte do Bragueto e a Prainha da Asa Sul (Praça dos Orixás).

A decisão de expandir a cobertura dos bombeiros é uma resposta ao crescimento notável do número de banhistas, especialmente em fins de semana e feriados. Estima-se que cada um desses locais receba mais de 500 pessoas diariamente. Com a introdução do programa de transporte público gratuito “Vai De Graça” em março deste ano, a expectativa é que mais pessoas busquem o lago como opção de lazer.

Os novos postos estão totalmente equipados e prontos para atender a emergências, com profissionais capacitados para intervir em casos de afogamento, acidentes aquáticos e para prestar primeiros socorros. Além do atendimento, o foco é intensificar a orientação sobre práticas seguras na água. A sargento Camila Rodrigues, guarda-vidas do Grupamento de Busca e Salvamento, destaca que as áreas da Ponte JK e Prainha do Lago Norte têm registrado maior movimento e, consequentemente, um aumento nos índices de afogamento desde a pandemia, quando o Lago Paranoá se popularizou como local de lazer.

A sargento ressalta que a maioria dos incidentes decorre da falta de informação e conhecimento sobre os perigos do lago. O objetivo dos alertas não é desencorajar o uso do local, mas sim garantir que a população aproveite o espaço com segurança, sabendo que há equipes preparadas para qualquer eventualidade. Ela aconselha o uso de coletes salva-vidas para quem não sabe nadar e a busca por informações junto aos bombeiros sobre os locais mais seguros para entrar na água.

Sebastião Cardoso da Costa, mecânico industrial de 47 anos, que estava em um piquenique familiar próximo a um dos novos postos, expressou sua satisfação com a medida: “É muito importante viver esse momento sabendo que, se acontecer algo imprevisto, tem alguém para nos socorrer. A gente traz criança e todo mundo sabe como é, pisca o olho e lá está o menino aprontando. Então, se tem alguém olhando, se tem posto de bombeiro para todos os lados, é importante.”

Relatórios de ocorrências aquáticas do CBMDF revelam 62 afogamentos em 2024, com 19 óbitos. Até 31 de março deste ano, foram 20 afogamentos e 11 óbitos. Esses dados sublinham a importância da cautela ao desfrutar do lago. Laélio Araújo Costa, instrutor de stand up paddle, elogiou a presença dos bombeiros, especialmente perto de uma ilhota conhecida como “Ilha do Tesouro” próximo à Ponte JK, onde muitos se arriscam, apesar da profundidade e distância da margem. “É muito importante, porque tem muita gente que bebe e quer entrar na água. Se afogar, o bombeiro vai estar aí para ajudar”, afirmou Laélio, relatando um afogamento recente na área.

A sargento Camila reforça que não há proibição de ir à ilha, mas enfatiza a necessidade de saber nadar, não ir sozinho e usar um objeto de flutuação, como colete. Ela alerta que a profundidade do lago aumenta rapidamente e que o uso de itens inadequados como boias (colchões, caixas de isopor) pode ser fatal. O estudante Matheus Severo, frequentador assíduo do lago, destaca a vital importância do colete, mesmo para quem sabe nadar, e a relevância de mais postos de bombeiros para um socorro rápido, já que cada segundo é crucial em um afogamento.

Em caso de risco ou emergência, a população deve procurar o posto de atendimento mais próximo ou acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

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