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Instituto Arayara alerta para riscos estruturais após vazamento em perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas

Organização ambiental afirma que incidente evidencia fragilidades da exploração petrolífera em área sensível e cobra transparência, fiscalização rigorosa e mudança na política energética

O Instituto Internacional Arayara divulgou uma nota oficial manifestando preocupação com a interrupção temporária da perfuração de um poço exploratório da Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas, após o vazamento de fluido de perfuração no sistema da sonda, ocorrido a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.

De acordo com a organização, o episódio reforça os alertas feitos há anos por entidades ambientais, povos tradicionais e pesquisadores sobre os riscos da atividade petrolífera em uma das regiões mais sensíveis do planeta, marcada por elevada biodiversidade marinha e pela dependência direta das comunidades costeiras e tradicionais.

Na avaliação da Arayara, ainda que a Petrobras alegue não haver impactos ambientais imediatos, o incidente não pode ser tratado como um evento isolado. “Incidentes desse tipo evidenciam os riscos estruturais da exploração de petróleo em uma das regiões mais sensíveis do planeta, marcada por alta biodiversidade e pela dependência direta de comunidades costeiras e tradicionais”, afirma a entidade no documento.

A organização ressalta que os alertas sobre os riscos da exploração não são recentes. Segundo a nota, não houve ausência de aviso prévio quanto às possíveis consequências da atividade petrolífera na região. “Não foi por falta de aviso que começou a exploração de petróleo no bloco. Ao contrário, assim que foi anunciada a liberação, entidades indígenas e organizações da sociedade civil, entre elas o Instituto Arayara, apresentaram ação civil pública solicitando a anulação da licença”, destaca o texto.

A Arayara afirma ainda que o Ministério Público Federal ecoou esse entendimento ao ingressar com ação própria. Para a entidade, o vazamento noticiado representa a materialização de um cenário negativo previsto há anos. “A notícia veiculada hoje do vazamento, que ocorreu neste domingo, é a concretização do cenário negativo que povos e comunidades tradicionais e organizações ambientalistas alertam há anos”, diz a nota.

Outro ponto levantado pela organização refere-se às incertezas técnicas e oceanográficas da região da Foz do Amazonas. De acordo com o instituto, o comportamento das correntes marítimas profundas ainda não é completamente conhecido, o que amplia os riscos da atividade. “As incertezas sobre o fluxo das intensas correntes mais profundas ainda não são totalmente conhecidas, tornando essa atividade mais insegura, sujeita a outros acidentes como esse ou piores, inclusive em dimensões transfronteiriças”, alerta o documento.

A Arayara reforça que a inexistência de danos imediatos não elimina riscos cumulativos e de longo prazo, especialmente em áreas de elevada conectividade oceânica. Por isso, a entidade defende “total transparência, monitoramento independente e rigor na fiscalização ambiental” por parte dos órgãos competentes.

No posicionamento, o instituto também aponta uma contradição entre o discurso climático assumido pelo Brasil em fóruns internacionais e a expansão da fronteira de exploração de combustíveis fósseis em áreas ambientalmente vulneráveis.

“O episódio expõe, mais uma vez, a contradição entre o discurso climático do Brasil e a expansão da fronteira fóssil em áreas ambientalmente vulneráveis”, afirma a organização, ao defender uma mudança estrutural na política energética do país.

Para a Arayara, a transição energética precisa ser acelerada, com foco em fontes renováveis e sustentáveis. “A transição energética deve ser acelerada, priorizando fontes renováveis e não realizando novos projetos de petróleo e gás em regiões de alto risco socioambiental”, conclui a nota.

Até o momento, a Petrobras não se manifestou publicamente sobre os questionamentos levantados pelo Instituto Internacional Arayara no documento divulgado.

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