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Desemprego cai para 5,6%, menor índice desde 2012

Número de ocupados chega a 102,4 milhões e formalização atinge recorde, aponta IBGE

O Brasil registrou a menor taxa de desemprego em 13 anos, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No trimestre encerrado em julho, o índice recuou para 5,6%, frente aos 5,8% observados no período anterior. É o nível mais baixo desde 2012, quando o levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) começou a ser realizado.

Segundo o estudo, o total de desocupados caiu para 6,1 milhões de pessoas, enquanto a população ocupada atingiu 102,4 milhões de trabalhadores, um recorde histórico na série. A expansão da oferta de vagas vem acompanhada de maior formalização, o que reforça o sinal de recuperação consistente do mercado de trabalho.

O destaque ficou por conta dos empregos com carteira assinada no setor privado, que chegaram a 39,1 milhões, o maior número já registrado. O crescimento foi de 3,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, demonstrando que as contratações formais têm puxado a melhora nos indicadores.

Outro ponto importante é a queda no desalento. O grupo de pessoas que desistiu de procurar trabalho recuou para 2,7 milhões, o menor contingente desde 2016. Isso indica que parte dos trabalhadores voltou a acreditar na possibilidade de conseguir uma vaga, o que, para o IBGE, mostra confiança no dinamismo do mercado.

A taxa de subutilização da força de trabalho — que inclui desempregados, subocupados e aqueles que poderiam trabalhar mais horas — também apresentou retração, chegando a 14,1%. O número representa cerca de 16,5 milhões de pessoas, contra mais de 20 milhões no auge da crise de 2021.

Para o analista William Kratochwill, do IBGE, os dados confirmam um momento de estabilidade. “Esses números sustentam o bom momento do mercado de trabalho, com crescimento da ocupação e redução da subutilização da mão de obra, ou seja, um mercado de trabalho mais ativo”, afirmou.

Economistas avaliam que a queda do desemprego está relacionada ao desempenho da atividade econômica, ao fortalecimento do consumo interno e ao avanço de setores como serviços e comércio. A expectativa, no entanto, é de cautela, já que fatores externos, como o impacto do tarifaço dos Estados Unidos e oscilações cambiais, ainda podem influenciar o ritmo de crescimento.

Apesar dos avanços, especialistas lembram que o desafio do país está na qualidade do emprego e na valorização dos salários. O rendimento médio real cresceu de forma modesta no período, e a informalidade ainda atinge mais de 38 milhões de trabalhadores, um terço da força de trabalho. O próximo passo, segundo analistas, é transformar o bom desempenho em resultados sustentáveis e distribuídos de maneira mais equilibrada.

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