
O deputado Rogério Carvalho (PT-SE) avaliou, nesta quinta-feira (25/9), o depoimento de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Para ele, ficou evidente a existência de uma fraude de grandes proporções, na qual associações fantasmas se apoderaram de aposentados para aplicar descontos indevidos em benefícios previdenciários.
“Me parece óbvio que existiu um processo dentro do INSS onde uma quadrilha se apoderou de entidades, associações picaretas, através da corrupção por dentro do INSS, levaram até essas entidades um monte de aposentados que nunca foram associados a ela. E esses aposentados tiveram descontos indevidos, que foi, portanto, uma fraude, um roubo do dinheiro deles”, afirmou.
Segundo o parlamentar, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já interrompeu esse processo, determinando a suspensão das cobranças e iniciando a devolução dos valores. Ele questionou, no entanto, como essas entidades surgiram e quem são os responsáveis por manter o esquema por tanto tempo.
Carvalho contestou a versão de “Careca do INSS”, que alegou ter apenas prestado serviços às associações, sem responsabilidade pelos descontos aplicados. “Essas associações não tinham filiados, não tinham associados. Então esse serviço dele não chegou até a base, até os aposentados. Não é crível o que ele fala”, destacou o deputado.
Para o petista, cabe agora à Polícia Federal aprofundar as investigações e responsabilizar os envolvidos. “A Polícia Federal vai fazer essa investigação, ele vai ter que pagar pelo que cometeu, pelos recursos ilícitos que recebeu, na nossa avaliação isso vai ficar bastante claro”, reforçou.
O parlamentar também criticou a omissão do governo anterior, afirmando que Jair Bolsonaro foi informado sobre as irregularidades, mas não tomou providências. “Durante quatro anos Jair Bolsonaro sabia disso. Pessoas anunciaram e ele absolutamente não fez nada. Já era para ter acabado essa fraude há mais tempo”, declarou.
Na análise de Rogério Carvalho, a CPMI perdeu força política ao não cumprir o objetivo inicial do PL de desgastar o governo atual. “Essa CPI foi formada em especial pelo PL, que achou que iria desvendar uma corrupção do governo Lula. Isso não aconteceu. Hoje, ela tem muito mais o caráter de investigar quem roubou, quem são os responsáveis, que é o que a Polícia Federal está fazendo”, afirmou.
Para ele, o resultado é o esvaziamento do colegiado, marcado por debates infrutíferos e disputas políticas. “A CPMI se desgasta em discussões intermináveis e mais políticas do que apurações. O intuito de achar que era uma bala de prata contra o governo Lula acabou. Então fica um bate-boca, uma briga de versões. A apuração mesmo quem está fazendo é a Polícia Federal”, concluiu.




