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Cid reafirma que Bolsonaro pediu monitoramento de Moraes em audiência no STF

Ex-ajudante de ordens nega relação da ação com o plano ‘Punhal Verde e Amarelo’, que previa assassinatos de autoridades

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, confirmou nesta quarta-feira (13/8) que o ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou o monitoramento da agenda do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O militar, no entanto, negou que essa ação tivesse relação com o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de Moraes, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin.

A declaração ocorreu durante audiência de acareação conduzida pelo próprio Moraes, relator da ação penal, entre Cid e o coronel da reserva Marcelo Costa Câmara, ex-assessor de Bolsonaro e também réu no processo. O procedimento, que busca esclarecer divergências entre depoimentos ao colocar as partes frente a frente, contou ainda com a presença do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos advogados de defesa.

Segundo Cid, o pedido partiu diretamente de Bolsonaro, que queria saber sobre uma possível reunião entre Moraes e o então vice-presidente Hamilton Mourão. Questionado sobre o suposto envolvimento de Câmara em um segundo monitoramento, ligado ao “Punhal Verde e Amarelo”, o militar disse desconhecer qualquer conexão. De acordo com a ata da audiência, “a defesa do réu Marcelo Câmara solicitou que fosse esclarecido que, em relação ao segundo momento, monitoramento no final de dezembro, não há nenhuma relação com a citada operação ‘Punhal Verde e Amarelo’, e esse monitoramento foi solicitado diretamente pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro”.

No mesmo documento, consta que Câmara afirmou ter feito monitoramentos “sempre de forma pontual com finalidade de ‘acertar agendas’” e que “jamais esses monitoramentos foram realizados para qualquer operação”.

Minuta

A audiência também abordou a chamada “minuta do golpe” — documento apreendido pela Polícia Federal que trazia instrumentos jurídicos para contestar o resultado da eleição presidencial de 2022. Cid afirmou que não declarou em sua colaboração premiada que a minuta à qual Câmara teria tido acesso fosse a mesma apresentada pelo também réu Filipe Martins a Bolsonaro.

Segundo a ata, “o réu colaborador confirmou o depoimento dado anteriormente como informante do juízo, porém esclareceu que, ao se referir ao conhecimento que o réu Marcelo Câmara tinha sobre a tramitação de uma minuta de decreto no Palácio, não quis afirmar que essa minuta era aquela apresentada por Filipe Martins ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro”.

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