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Presidente do BRB é afastado por decisão judicial após operação da Polícia Federal

O caso deve seguir sob apuração da Polícia Federal e do Ministério Público Federal

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi afastado de suas funções por determinação judicial nesta terça-feira (18). O afastamento, com duração inicial de 60 dias, ocorre no contexto da operação da Polícia Federal que levou à prisão do presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de quatro diretores da instituição financeira. Segundo informou o governador Ibaneis Rocha (MDB), Paulo Henrique Costa se encontra nos Estados Unidos.

A decisão que alcançou o BRB também determinou o afastamento do diretor-executivo de finanças e controladoria, Dario Oswaldo Garcia Junior, igualmente por 60 dias. Ambos são citados no procedimento que investiga operações envolvendo o Banco Master, alvo de intervenção federal após grave deterioração financeira.

A ação desta terça coincidiu com a decretação, pelo Banco Central, da liquidação extrajudicial do Master, medida que extingue a instituição e transfere a administração a um liquidante responsável por encerrar operações, vender ativos e quitar obrigações na ordem prevista em lei. Com isso, ficam automaticamente suspensas todas as negociações de aquisição em curso, incluindo o negócio recentemente anunciado pela Fictor Holding, que previa aporte emergencial de R$ 3 bilhões e participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos.

Horas antes da operação da PF, o grupo Fictor havia comunicado a intenção de adquirir parcela significativa do banco — 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total — operação que ainda dependia do aval do Banco Central e do Cade. O BRB, por sua vez, havia tentado comprar o Master em momento anterior, mas a transação não avançou devido à fragilidade financeira e às pendências regulatórias da instituição controlada por Vorcaro.

Em comunicado oficial, o BRB reforçou que suas operações têm seguido rigorosamente os protocolos de governança e prestação de informações aos órgãos de controle. “O BRB reforça que sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master”, afirmou o banco, que também negou qualquer prisão em suas dependências nesta terça.

A instituição esclareceu ainda que a ordem judicial se limita ao afastamento temporário dos dois executivos. “A decisão judicial que orienta a atuação da Polícia Federal nas dependências do Banco determina, exclusivamente, o afastamento temporário do presidente e do diretor financeiro pelo prazo de 60 dias”, diz outro trecho da nota.

O BRB também destacou que suas atividades seguem normalmente e que a estrutura operacional permanece preservada. “A Instituição reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade e a integridade na condução de suas atividades. O Banco segue operando normalmente, garantindo a continuidade integral dos serviços e preservando a segurança das operações, dos clientes, dos parceiros e de toda a sua estrutura operacional”.

O caso deve seguir sob apuração da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que investigam o fluxo de transações mantidas entre o BRB e o Master e seus possíveis impactos no sistema financeiro.

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