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Ministro alemão elogia Brasil e tenta conter repercussões após crítica de Friedrich Merz sobre Belém

Governador do Pará Helder Barbalho reagiu imediatamente às críticas de Merz

O ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, fez uma série de declarações elogiosas ao Brasil nesta segunda-feira (17/11), em um gesto interpretado como tentativa de distensionar o clima diplomático provocado após comentários depreciativos do chanceler alemão, Friedrich Merz, sobre Belém, sede da COP30. Em publicação nas redes sociais, Schneider afirmou que o Brasil é “um país maravilhoso” e lamentou não poder estender sua permanência após a conferência. “Brasil é um país maravilhoso, com um povo acolhedor e bom anfitrião. Pena que não poderei ficar mais tempo após a COP. Teria algumas ideias, por exemplo, pescar com os meus amigos da Amazônia”, registrou o ministro, em mensagem acompanhada de uma fotografia em que aparece pescando na região amazônica.

As manifestações ocorreram no mesmo dia em que ganharam repercussão no Brasil as falas de Merz, proferidas no Congresso Alemão do Comércio em 13 de novembro. O chanceler, ao comparar a Alemanha com outros países, citou a passagem pela COP30 de forma negativa. “Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, a noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos”, afirmou o dirigente conservador.

A declaração foi publicada no site oficial do governo alemão e no canal do Congresso Alemão do Comércio, organizado pela Handelsverband Deutschland (HDE), principal federação do varejo do país. Segundo a Deutsche Welle (DW), Merz buscava exaltar o ambiente comercial “próspero e livre da Alemanha”, mas a referência desabonadora à capital paraense desencadeou reações imediatas no Brasil, especialmente entre autoridades locais. O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), classificou o discurso como “arrogante e preconceituoso”, enquanto o governador Helder Barbalho (MDB) ironizou o desconforto do chanceler com o clima amazônico: “Curioso ver quem ajudou a aquecer o planeta estranhar o calor da Amazônia. Um discurso preconceituoso do chanceler alemão”.

Diante da repercussão negativa, a revista alemã Stern destacou que Schneider buscou acalmar os ânimos e afastar a leitura de que o governo alemão, como um todo, compartilhe da visão expressa por Merz. A publicação citou como um “elogio explícito” a Belém uma fala adicional do ministro, incluída em alemão no texto de sua postagem: “Durante o fim de semana, tive a oportunidade de ter uma primeira impressão de Belém, esta magnífica cidade, e seus arredores. Vi um enorme comprometimento, pessoas maravilhosas, mas também muita pobreza”.

O periódico também ressaltou que, apesar dos investimentos realizados para a COP30, “casas dilapidadas, ruas esburacadas e cursos d’água poluídos ainda predominam na paisagem urbana em muitas áreas”, observação feita no contexto de um debate mais amplo sobre desigualdade social e infraestrutura urbana na Amazônia. A revista ponderou, contudo, que a realização da conferência impulsionou reformas e melhorias importantes em diversos bairros de Belém, além de ter aumentado a visibilidade global da região.

As declarações contrastantes de Merz e Schneider geraram leituras distintas entre analistas de política internacional. Enquanto o chanceler enfatizou a valorização do território e da economia alemã, sua fala repercutiu como insensível e desinformada sobre os desafios amazônicos; Schneider, por outro lado, buscou reafirmar o compromisso de cooperação entre Berlim e Brasília, especialmente em pautas ambientais e no financiamento de ações climáticas. Sua manifestação pública também ecoa o esforço diplomático de reconstrução da confiança bilateral, que voltou a se fortalecer nos últimos anos com a retomada de projetos conjuntos na área ambiental.

O episódio adiciona um novo capítulo ao sensível equilíbrio nas relações Brasil–Alemanha, especialmente em um momento em que a COP30 coloca o país no centro das discussões globais sobre clima, desenvolvimento sustentável e justiça socioambiental. Para o governo brasileiro, as reações de Merz soaram desrespeitosas; para o alemão, a fala de Schneider busca sinalizar que o compromisso oficial com a Amazônia permanece inalterado.

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