CPMI do INSS volta a se reunir nesta segunda (10/11) para ouvir dirigente de associação citada em fraudes
Comissão já aprovou 186 requerimentos e prepara acareação entre delator e o “Careca do INSS”

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS realiza nesta segunda-feira (10/11), às 16h, a 24ª reunião, com a oitiva de Igor Dias Delecrode, dirigente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (AASAP). O depoimento será no Anexo II do Senado Federal, na Ala Senador Nilo Coelho, e deve abordar o envolvimento de entidades de fachada em desvios bilionários de aposentadorias e pensões.
Nos últimos meses, a comissão tem avançado sobre uma rede de fraudes que, segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), desviou cerca de R$ 6,3 bilhões do sistema previdenciário. As investigações apontam o uso de associações e empresas de crédito consignado para aplicar descontos indevidos em contracheques de beneficiários do INSS, sem autorização dos segurados. A AASAP é uma das entidades citadas em relatórios oficiais e será o foco da sessão desta segunda.
O colegiado já aprovou 186 requerimentos, incluindo novas convocações, quebras de sigilo bancário e fiscal, pedidos de dados ao Coaf e solicitações de cooperação com outros órgãos de controle. Na última semana, os parlamentares aprovaram a acareação entre o advogado Eli Cohen, autor das denúncias, e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema. Também foi pedido o bloqueio de passaportes de investigados e a realização de audiências públicas no Maranhão e em Minas Gerais, estados considerados estratégicos nas investigações.
Na reunião anterior, realizada na quinta-feira (6/11), a CPMI ouviu o ex-ministro Onyx Lorenzoni, que negou qualquer envolvimento com o caso. O depoimento encerrou a fase dedicada a ex-integrantes do governo e abriu espaço para a oitiva de dirigentes de associações suspeitas de ter movimentado recursos ilícitos em nome de aposentados.
A oitiva de Igor Delecrode é vista como uma etapa importante para rastrear os fluxos financeiros e esclarecer o papel de entidades privadas na fraude previdenciária. Parlamentares avaliam que os próximos depoimentos devem expor a cadeia de intermediação e lavagem de dinheiro montada para lesar o sistema e atingir diretamente os segurados. A expectativa é que as conclusões preliminares da CPMI sejam apresentadas até o início de 2026.




